Diante da insatisfação crescente na base aliada, o governo do Rio Grande do Sul deve se reunir com deputados para discutir ajustes no edital de concessão das rodovias do bloco 2. O encontro foi proposto pelo chefe da Casa Civil, Artur Lemos, após um almoço com a bancada do MDB nesta terça-feira (1). A reunião atende a um pedido antigo da deputada Nadine Anflor (PSDB), que já havia se manifestado publicamente contra o modelo proposto pelo Piratini.
A principal queixa dos parlamentares não é a concessão em si, mas a forma como o projeto foi estruturado. Entre as preocupações estão o tempo excessivo da concessão (30 anos), a ausência de estudos de tráfego para terceiras vias e duplicações, prazos longos para obras urgentes e o alto investimento exigido para a reconstrução de pontes, o que impacta diretamente no valor dos pedágios.
Enquanto a base pressiona internamente, a oposição intensifica sua articulação. PL e PT se uniram para instalar a Frente Parlamentar Contra Pedágios, com participação de deputados do PCdoB, Novo, PSOL, Podemos e Republicanos – estes últimos, inclusive, pertencentes à base do governo. O grupo, liderado pelo deputado Paparico Bacchi (PL), já planeja uma reunião com o Executivo e, caso o edital seja publicado sem mudanças, avalia recorrer a uma tese jurídica para barrá-lo.
Outra estratégia, sugerida por Rodrigo Lorenzoni (PL), é reunir assinaturas de pelo menos 40 deputados em uma moção de repúdio à concessão. Como o governo não precisa de aprovação da Assembleia Legislativa para levar adiante o projeto, a pressão política pode ser a principal ferramenta para adiar a publicação do novo edital.
A mobilização também conta com prefeitos, vereadores e representantes do setor produtivo do Norte do Estado e do Vale do Taquari, regiões que integram o bloco 2. O principal temor é o impacto da instalação das 24 praças de pedágio sobre o custo de escoamento da produção, reduzindo a competitividade das mercadorias gaúchas. O governo promete apresentar um novo edital com sugestões da base e da sociedade civil ainda em abril.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper