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Paraguai convoca embaixador e suspende negociações de Itaipu após acusação de espionagem pela Abin
Publicado em 01/04/2025 16:38
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O governo do Paraguai anunciou, nesta terça-feira (1º), a convocação do embaixador paraguaio no Brasil, Juan Angel Delgadillo, para prestar esclarecimentos sobre denúncias de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria hackeado autoridades paraguaias durante o governo Lula. A decisão foi comunicada pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rúben Ramirez.
Além da convocação, o chanceler paraguaio informou a suspensão das negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu até que o Brasil forneça explicações sobre a suposta operação de inteligência. O Anexo C trata da revisão dos valores da energia gerada pela usina binacional, tema sensível na relação entre os dois países.
A denúncia contra a Abin surgiu após um servidor da agência relatar à Polícia Federal que o órgão realizou invasões a dispositivos de informática do governo paraguaio para obter informações sobre a negociação de tarifas de Itaipu. Segundo o depoimento, agentes da Abin usaram o programa Cobalt Strike e realizaram três viagens ao Chile e ao Panamá para disparar os ataques, invadindo sistemas do Congresso, do Senado, da Câmara e da Presidência da República do Paraguai.
Embora o planejamento tenha começado ainda no governo Jair Bolsonaro (PL), o agente afirmou que a ação foi executada já sob a gestão do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa. O governo brasileiro, no entanto, negou envolvimento na operação.
Em nota oficial, o Itamaraty declarou que a operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e que foi descontinuada pelo diretor interino da Abin em março de 2023, logo após a gestão Lula tomar conhecimento do caso. A nota também ressaltou o compromisso do Brasil com o respeito e o diálogo nas relações diplomáticas com o Paraguai.
A suspensão das negociações sobre Itaipu representa um novo impasse entre os dois países, que já vinham enfrentando tensões em torno da revisão do tratado da hidrelétrica.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
 
 
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