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Inflação dos alimentos tem mostrado maior resistência que a dos chamados produtos duráveis
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Publicado em 13/10/2022

O Brasil teve deflação pelo terceiro mês seguido. Em setembro, os preços medidos pelo IPCA caíram, em média, 0,29%, principalmente por causa dos combustíveis. Nos últimos 12 meses, o IPCA registra inflação de 7,17%. A inflação dos alimentos tem mostrado maior resistência do que a dos chamados produtos duráveis.

Em setembro, o preço dos alimentos até recuou. O leite, por exemplo, caiu 13%. Mas no acumulado dos últimos 12 meses, a alta é de quase 37%.

Outros produtos muito presentes no dia a dia dos brasileiros também registram altas significativas em um ano. O preço da cebola subiu 127%; o do café, 37%; e o da farinha de trigo, 35%.

Neste mesmo período, o preço de uma televisão ou de um computador, que são bens duráveis, foi na direção contrária.

“Os bens duráveis têm um comportamento mais estável na comparação. E isso na verdade vem desde o começo da pandemia, quando você teve uma demanda mais reprimida pelos bens duráveis e também na parte do setor de serviços. E essa demanda foi sendo retomada aos poucos, principalmente com a melhora do cenário da pandemia, e no caso de serviços de maneira mais forte agora no ano de 2022”, explica o gerente do Ipca-IBGE, Pedro Kislanov.

A inflação de alimentos ainda distorce nossa percepção dos preços, e a economia. Enquanto as famílias brasileiras deixam boa parte da renda no caixa do supermercado, outros setores vão ter que esperar. É que para garantir o essencial, a compra do eletroeletrônico, do automóvel, da peça de roupa, vai sendo adiada.

“Isso faz com que o aumento dos preços acabe de fato permanecendo. Ele se perpetua em alguns cenários ou ele permanece durante longos períodos de tempo, porque diferente de outros consumos, que quando o preço sobe as pessoas diminuem, no caso da alimentação, não. Os preços podem subir, as pessoas substituem um produto mais caro por outro um pouquinho mais barato, mas na média elas continuam consumindo o mesmo tanto de alimento”, afirma a professora de economia do Insper Juliana Inhasz.

Em setembro, com queda de 8,33%, a gasolina exerceu o impacto negativo mais intenso no índice (-0,42 p.p.). Os outros três combustíveis pesquisados também tiveram queda nos preços: etanol (-12,43%), óleo diesel (-4,57%) e gás veicular (-0,23%). “O etanol, mesmo tendo um preço livre, acaba acompanhando a gasolina, pois é um produto substituto”, acrescenta Kislanov. No grupo, houve ainda o recuo nos preços das motocicletas (-0,08%), dos automóveis novos (-0,15%) e dos automóveis usados (-0,38%), que haviam subido em agosto.

Foto:Valter Campanato/Agência Brasil

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