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Ex-funcionários da Cotribá aguardam definição sobre pagamento de rescisões
Trabalhadores desligados cobram esclarecimentos sobre prazos e condições de quitação dos valores devidos
Publicado em 15/06/2026 10:16
REGIÃO

Passados mais de dois meses desde o início das demissões realizadas pela Cotribá, ex-funcionários seguem em busca de respostas sobre o recebimento de suas verbas rescisórias. Apesar de a cooperativa informar que mantém negociações com o sindicato da categoria, ainda não há definição pública sobre datas de pagamento, condições do acordo ou mesmo o número exato de trabalhadores afetados.

Diante da falta de informações, um grupo de trabalhadores desligados organizou uma comissão para acompanhar as tratativas e buscar esclarecimentos. Segundo Lauro Campos, integrante da comissão, cerca de 80 ex-funcionários participam atualmente do movimento, reunindo pessoas de diversas unidades da cooperativa localizadas no Alto Jacuí e na Metade Sul do Rio Grande do Sul.

Conforme Campos, a principal preocupação é a ausência de informações concretas sobre o andamento das negociações e sobre quando os valores serão pagos.

“Fica um empurrando para o outro. Dizem que a proposta foi para o sindicato, mas quando a gente procura informação ninguém sabe dizer exatamente o que está acontecendo”, relatou.

Ainda de acordo com ele, representantes da comissão conseguiram uma reunião com dirigentes da cooperativa após diversas tentativas de contato. No encontro, teria sido apresentada uma proposta inicial para o pagamento das rescisões, porém sem definições oficiais que pudessem ser repassadas aos trabalhadores.

A reportagem também ouviu a presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores em Cooperativas de Produção Agrícola do Rio Grande do Sul (Sinecoop/RS), Maria Vitória Pretto. Ela confirmou que as negociações estão em andamento, mas destacou que ainda não existe um acordo concluído.

“O acordo não está pronto ainda. Existem negociações, mas nada está definido porque será necessária uma assembleia com os trabalhadores”, afirmou.

O vice-presidente do sindicato, Licério Maldaner, que atua há 41 anos na cooperativa, também reconheceu a preocupação dos ex-funcionários e informou que ainda não há definições sobre datas ou garantias de pagamento.

“Tu acha que foi fácil para mim assinar a rescisão de gente que trabalhou 40 anos comigo? A gente recebe ligação de pessoas precisando pagar aluguel, precisando comprar as coisas para casa. Nós sabemos da situação deles”, declarou.

Em nota encaminhada à reportagem por meio de sua assessoria de imprensa, a Cotribá informou que está negociando com o sindicato uma proposta para quitar as verbas rescisórias. Segundo a cooperativa, a ideia é realizar o pagamento imediato de parte das rescisões de menor valor e parcelar os demais débitos.

A direção atribui as dificuldades financeiras às “dívidas consideráveis deixadas pela administração anterior” e afirma que a atual gestão, há cerca de 90 dias no comando da instituição, propõe o pagamento imediato de 49% das rescisões de menor valor, enquanto negocia a quitação das demais em até 24 parcelas mensais.

“A cooperativa, ciente de seu relevante papel social e econômico na região, se esmera para solucionar a questão de forma satisfatória para todas as partes no menor prazo possível”, destaca a nota.

Entretanto, a cooperativa não respondeu aos questionamentos referentes ao número de funcionários desligados durante o processo de reestruturação, quantos ainda aguardam o recebimento das verbas, os valores envolvidos, os prazos previstos para pagamento, a data de apresentação da proposta ao sindicato e a previsão para eventual homologação de um acordo coletivo.

A Cotribá chegou a contar com aproximadamente 1.500 funcionários em seu quadro funcional. Atualmente, menos de 600 colaboradores permanecem em atividade.

Enquanto as negociações seguem sem uma definição oficial e sem previsão de assembleia, trabalhadores e familiares continuam aguardando uma solução para o recebimento dos direitos trabalhistas decorrentes dos desligamentos.

Fonte: Rádio Cidade Ibirubá – Jornalista Cristiano Lopes

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