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Coxilha Nativista bate recorde histórico e ultrapassa 1.100 músicas inscritas
Festival chega à 46ª edição consolidado como um dos maiores eventos da música nativista do Rio Grande do Sul
Publicado em 03/06/2026 14:43 • Atualizado 03/06/2026 14:45
CULTURA

A 46ª Coxilha Nativista e a 40ª Coxilha Piá já entraram para a história antes mesmo da abertura oficial do festival. Neste ano, o evento alcançou um recorde histórico de inscrições, superando a marca de 1.100 composições enviadas por músicos e compositores de diversas regiões do Estado e do país.

Durante esta semana, a comissão avaliadora esteve reunida em Cruz Alta realizando a triagem das obras inscritas, trabalho que definirá as canções que subirão ao palco de um dos mais tradicionais festivais de música nativista do Rio Grande do Sul.

Para a secretária municipal de Cultura e Turismo, Shana Reis, o número expressivo de inscrições demonstra a força e a relevância da Coxilha no cenário cultural gaúcho.

“Quase 1.100 músicas tivemos inscritas na nossa Coxilha. Isso demonstra o quanto a Coxilha Nativista é esse palco tão desejado pelos nossos artistas. Estamos muito felizes realizando essa triagem. A divulgação das canções classificadas é sempre a grande expectativa, porque é ela que dá o norte do festival. A escolha dos jurados não está sendo fácil diante de um número tão expressivo de composições”, destacou.

Novidade para os pequenos talentos

Entre as novidades desta edição está a criação da categoria Piazito, ampliando as oportunidades para os jovens talentos da música nativista.

Segundo Shana, a nova modalidade se soma às já tradicionais categorias Piá e Piá Taludo.

“Este ano temos essa novidade da categoria Piazito. Já temos as crianças que irão participar da 40ª Coxilha Piá e estamos muito felizes em proporcionar esse espaço para que novos talentos possam se desenvolver e vivenciar o festival”, afirmou.

Jurados qualificados garantem alto nível da seleção

A secretária também ressaltou a qualidade técnica da comissão julgadora responsável pela triagem das músicas.

“Cada ano a gente aprende um pouco mais acompanhando esse processo. Os jurados possuem um conhecimento vasto e uma responsabilidade enorme. Eles estão trabalhando da melhor forma possível para selecionar as melhores canções que irão compor o repertório do festival”, explicou.

Coxilha Vai à Escola fortalece a cultura nas salas de aula

Outro destaque da programação é o projeto Coxilha Vai à Escola, considerado por Shana um dos mais importantes legados do festival.

“O Coxilha Vai à Escola é um sonho realizado. Para mim, é o produto mais encantador da Coxilha Nativista. Trabalhamos o ano inteiro com as crianças dentro das escolas do município. Nossos músicos e oficineiros levam aulas de violão, interpretação e poesia para diversas instituições. É um projeto que realmente mexe com o nosso coração”, destacou.

Além das oficinas, os alunos participantes também terão espaço garantido na programação da Coxilha Piá.

Programação ampliada

A edição de 2026 também contará com uma programação ampliada, iniciando já na segunda-feira, dia 27 de julho.

A abertura será marcada pela realização da fase local da Coxilha Piá, que pela primeira vez ocorrerá no palco principal do festival.

“Trouxemos a fase local para dentro da programação oficial. As crianças de Cruz Alta estarão no palco principal da Coxilha e os classificados já voltam a se apresentar na etapa seguinte. Será uma experiência inesquecível para elas”, explicou Shana.

A programação seguirá com a fase geral da Coxilha Piá, etapa local da Coxilha Nativista, apresentações estaduais e a grande final no sábado, além de uma série de atrações paralelas.

Entre elas estão o tradicional Rodeio da Coxilha, o concurso gastronômico Chef Farroupilha, a Coxilha Instrumental, a Coxilha dos Idosos e o projeto Coxilha Vai às Ruas, que leva a divulgação do festival para diferentes pontos da cidade.

“Após a divulgação das músicas classificadas, lançaremos o cronograma do Coxilha Vai às Ruas. O caminhão da Coxilha vai percorrer bairros, escolas e espaços públicos, aproximando ainda mais o festival da comunidade”, afirmou.

Convite à comunidade

Ao final da entrevista, a secretária reforçou o convite para que a população participe intensamente da programação.

“Quando termina uma Coxilha, nós já começamos a trabalhar na próxima. É um ano inteiro de dedicação. Recebemos visitantes de várias regiões, mas queremos principalmente que o cruz-altense participe. O festival é nosso. Levem as crianças, aproveitem a programação gratuita e vivam essa experiência que faz parte da identidade cultural de Cruz Alta”, convidou.

Jurado destaca qualidade das composições

Integrante da comissão avaliadora, o compositor e bicampeão da Coxilha Nativista, João Paulo Deckert, destacou a emoção de retornar ao festival agora na condição de jurado.

“É uma honra imensa estar sentado em uma das cadeiras do júri da Coxilha. Foi aqui que comecei minha trajetória nos festivais, em 2012. Hoje ter a oportunidade de participar desse processo é motivo de muito orgulho”, afirmou.

Segundo ele, a qualidade das obras inscritas mantém o elevado padrão do festival.

“A Coxilha é um dos maiores festivais do Estado e é para ela que os compositores enviam suas melhores canções. Já ouvimos muita coisa boa e o nível está altíssimo. Não é fácil selecionar apenas 30 músicas para o palco”, destacou.

Deckert também acredita que o recorde de inscrições deverá continuar crescendo nos próximos anos.

“A Coxilha é um dos grandes referenciais da música nativista. Por isso acredito que esse recorde ainda será superado futuramente”, disse.

Expectativa para mais uma grande edição

Para o jurado, a responsabilidade da comissão é entregar ao público um repertório à altura da tradição do festival.

“O povo cruz-altense tem a Coxilha no sangue. Existe um conhecimento muito grande sobre música nativista e isso aumenta nossa responsabilidade. Estamos trabalhando para apresentar um repertório bonito e tenho certeza de que o público vai gostar muito do que verá no palco”, ressaltou.

Ao encerrar, Deckert também deixou seu convite para a comunidade regional.

 

“A cada ano a Coxilha cresce mais. É um evento imperdível para Cruz Alta e toda a região. Mesmo sendo no auge do inverno, basta colocar um pala nas costas, preparar um mate quente e vir prestigiar grandes composições, grandes artistas e toda a riqueza da nossa música gaúcha”, concluiu.

 

Jornalista Daniel Paulus MTB 19879/RS

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