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Tarifa dos Estados Unidos pode afetar quase 75% das exportações do agronegócio gaúcho ao mercado norte-americano
Publicado em 03/06/2026 10:26
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Uma proposta em análise pelo governo dos Estados Unidos poderá gerar impactos significativos para o agronegócio do Rio Grande do Sul. De acordo com uma nota técnica divulgada pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre parte das importações brasileiras atingiria diretamente 74,9% das exportações gaúchas do setor destinadas ao mercado norte-americano.

O percentual corresponde a aproximadamente US$ 575 milhões em vendas realizadas ao longo de 2025. O estudo foi elaborado com base na proposta em discussão no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), dentro da chamada Seção 301 do Trade Act de 1974, mecanismo utilizado pelo governo norte-americano para investigar e aplicar medidas comerciais contra países considerados em desacordo com práticas comerciais internacionais.

Segundo a Farsul, o impacto sobre o Rio Grande do Sul seria proporcionalmente mais elevado do que o observado no cenário nacional. Enquanto 36,8% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos estariam sujeitas à nova tarifa, no caso gaúcho o percentual praticamente dobra.

A diferença está relacionada ao perfil da pauta exportadora do Estado. Alguns dos principais produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, como carne bovina fresca, café em grão, suco de laranja concentrado e fertilizantes, estão entre os itens excluídos da proposta. Já produtos de forte presença na economia gaúcha permanecem na lista de possíveis alvos da sobretaxa.

Entre os segmentos mais afetados está a cadeia produtiva do tabaco. O fumo não manufaturado do tipo Virgínia lidera a relação de produtos gaúchos potencialmente atingidos, com exportações que somaram US$ 122 milhões para os Estados Unidos em 2025. Também aparecem entre os itens sob risco a madeira serrada de pinus, os calçados de couro, o fumo Burley e o sebo bovino.

De acordo com a análise da Farsul, o setor de fumo e derivados representa cerca de 31% do valor total das exportações do agronegócio gaúcho incluídas na proposta tarifária.

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) manifestou preocupação com os possíveis efeitos da medida sobre a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano. A entidade avalia que a criação de novas tarifas pode impactar contratos comerciais, o planejamento industrial das empresas e a renda de milhares de produtores rurais ligados à cadeia produtiva.

Dados do setor apontam que as exportações brasileiras de tabaco para os Estados Unidos totalizaram US$ 195,3 milhões em 2025, representando uma queda de 23,4% em relação ao ano anterior. Com a possível adoção da nova tarifa, o segmento teme novas perdas de mercado e redução da competitividade internacional.

A proposta segue em discussão junto às autoridades norte-americanas e ainda não há definição sobre sua implementação. O setor agropecuário acompanha o tema com atenção, diante dos possíveis reflexos sobre as exportações e a economia do Rio Grande do Sul.

Fonte: Grupo Sepé

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