O vereador José Henrique Westphalen (Republicanos) defendeu o uso de inteligência artificial como ferramenta para despersonalizar a gestão pública e substituir o erro e o favoritismo durante painel no Gramado Summit 2026, realizado no último dia 8 de maio. A fala ocorreu na Arena de Conteúdos RS, palco institucional do Governo do Estado, que recebeu mais de 220 propostas de apresentações para a edição deste ano.
Westphalen, que é membro do Comitê Técnico do InovaRS região central, do Comitê Municipal de Inovação de Cruz Alta e autor da proposta da Lei de Inovação do município, dividiu a mesa com Sadi João Gioda Neto, secretário de Desenvolvimento Econômico de Santiago, e Júnior Sergio Schneider, secretário de Desenvolvimento Econômico de Montenegro. O painel, intitulado "Do gasto público ao desenvolvimento: como inovação, compras inteligentes e moedas sociais transformam economias locais", teve 25 minutos de duração e abordou os entraves burocráticos que freiam a modernização do Estado.
O vereador abriu a participação com um gancho sensorial: exibiu um bloco de papel carimbo e pediu que o público sentisse o cheiro do material. "Isto aqui é o cheiro da burocracia e da ineficiência da máquina pública. Enquanto empreendedores usam IA para escalar negócios, a máquina pública ainda depende do humor de quem carimba o papel. O contraste é violento: temos uma Sociedade 5.0 batendo na porta de um Estado 1.0", afirmou.
Na sequência, Westphalen argumentou que a burocracia não é excesso de zelo, mas desculpa para não fazer, e que o ciclo político de quatro anos é curto demais para a inovação e longo demais para a ineficiência. Segundo ele, o primeiro ano de um mandato é consumido por heranças administrativas e ajustes de equipe, enquanto o quarto ano é tomado pela eleição — restando dois anos de execução real, frequentemente travados por processos manuais que favorecem interesses difusos.
O vereador defendeu que a tecnologia deve funcionar como teto que protege o processo do humor político. Citou três frentes de aplicação: varredura de editais por IA para garantir que o melhor vença nas licitações, análise de dados para regulação na saúde — eliminando filas por influência — e acesso à informação por meio de canais como WhatsApp, permitindo transparência em linguagem simples. "Inovação pública não é luxo, é sobrevivência econômica. A IA na gestão pública não substitui o gestor; ela substitui o erro e o favoritismo", disse.
Ao falar sobre a experiência local, Westphalen mencionou a Lei de Inovação com foco na modernização da gestão pública, a consultoria do Sebrae para inovação dentro da administração e os projetos em andamento. "Modernizar não é apenas comprar software; é reengenharia de processos. A máquina precisa funcionar apesar de quem ocupa a cadeira. É transformar o gasto em investimento previsível", afirmou.
O painel encerrou com um convite ao público para não aceitar a burocracia como destino inevitável. "O desenvolvimento local só acontece de fato quando a máquina pública para de ser o teto e passa a ser a plataforma. Exijam uma gestão que tenha os pés no presente com a cabeça conectada ao futuro da IA. Quando automatizamos o técnico, liberamos o humano. Inovação é a blindagem que garante que o interesse público sempre vença", concluiu.