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MPF denuncia 13 ex-executivos da Americanas por fraudes contábeis de R$ 25 bilhões
Publicado em 02/04/2025 14:29
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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 13 ex-executivos do Grupo Americanas por envolvimento em fraudes contábeis que totalizam cerca de R$ 25 bilhões. A denúncia, apresentada à Justiça Federal do Rio de Janeiro, aponta que o ex-CEO Miguel Gutierrez liderava um esquema de manipulação contábil para inflar artificialmente os lucros da companhia e valorizar suas ações.
Além de Gutierrez, a acusação envolve outros 12 ex-dirigentes, entre eles Anna Saicali (ex-CEO da B2W), Timotheo Barros e Marcio Cruz (ex-vice-presidentes), além de ex-diretores e executivos como Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira.
A investigação da Polícia Federal (PF) revelou que as fraudes ocorreram entre fevereiro de 2016 e dezembro de 2022, período em que Gutierrez estava à frente da empresa. O esquema permitia a valorização das ações do Grupo Americanas, Lojas Americanas e B2W, prejudicando credores e acionistas. Entre as provas apresentadas pelo MPF estão e-mails, mensagens de WhatsApp e documentos que evidenciam a discrepância entre a contabilidade real e a manipulada. Conversas entre os envolvidos indicam tentativas de ocultar as fraudes de auditorias.
A denúncia também destaca que três ex-executivos fecharam acordos de colaboração premiada e detalharam o funcionamento do esquema fraudulento. Segundo o MPF, as irregularidades envolviam o registro de operações de crédito como faturamento, distorcendo os balanços financeiros. O rombo contábil veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a nova gestão da Americanas apontou “inconsistências nos lançamentos contábeis”. Poucos dias depois, o então CEO, Sergio Rial, deixou o cargo menos de dez dias após assumir, e as ações da empresa despencaram, gerando uma perda de valor superior a R$ 70 bilhões.
A defesa de Timotheo Barros afirmou que analisará a acusação e alegou parcialidade no processo. Até o momento, os demais acusados não se manifestaram.
Com dificuldades financeiras, a Americanas entrou com pedido de recuperação judicial, aprovado em fevereiro de 2024. O plano homologado reconhece dívidas superiores a R$ 50 bilhões, envolvendo mais de 9 mil credores, entre eles grandes bancos como Bradesco, BTG Pactual, Itaú e Santander, que detêm 35% desse montante. Para evitar a falência, os acionistas Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles se comprometeram a investir R$ 12 bilhões na empresa, enquanto os bancos credores aportarão outros R$ 12 bilhões para manter as operações.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Jovem Pan
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