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Pesquisa revela que aspirina pode ajudar a impedir a disseminação do câncer pelo corpo
Publicado em 31/03/2025 10:09
SAÚDE
Um estudo publicado na revista científica Nature neste mês de março revelou que a aspirina pode auxiliar na prevenção da metástase, processo pelo qual células cancerígenas se espalham para outros órgãos. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, demonstrou que o medicamento inibe a produção de um fator de coagulação que suprime a ação do sistema imunológico contra o câncer.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a metástase atinge de 70% a 80% dos pacientes no momento do diagnóstico e corresponde a 90% das mortes por câncer no mundo. A descoberta pode representar um avanço no combate à progressão da doença. Os pesquisadores analisaram 810 genes em camundongos e identificaram 15 genes ligados à disseminação do câncer. Entre eles, o ARHGEF1, responsável por inibir a ação das células T, que fazem parte do sistema imunológico e atacam células cancerígenas. Os cientistas constataram que o ARHGEF1 é ativado pelo tromboxano A2 (TXA2), um fator de coagulação, que inibe a ação das células de defesa. A aspirina bloqueia a produção de TXA2, permitindo que as células T combatam mais eficazmente as células cancerígenas que tentam se espalhar para outros órgãos.
A oncologista Tatiane Montella, da Oncoclínicas&Co, explica que “o sistema imunológico tem um papel natural de inibir a proliferação inadequada de células cancerígenas. A aspirina age permitindo que as células T fiquem mais ativas para impedir a metástase”. A relação entre aspirina e prevenção do câncer já foi sugerida por pesquisas anteriores. Estudos clínicos apontaram benefícios do medicamento para pacientes com câncer de mama, intestino e próstata, mas ainda não havia clareza sobre seu mecanismo de ação. Agora, os pesquisadores da Universidade de Cambridge trabalham em colaboração com o ensaio clínico Add-Aspirin, liderado pela professora Ruth Langley, para entender melhor quais pacientes podem se beneficiar do uso da aspirina no tratamento oncológico.
Especialistas alertam que, apesar dos achados promissores, a aspirina ainda não deve ser usada como tratamento contra o câncer sem recomendação médica. “O medicamento, apesar de acessível e de baixo custo, pode causar efeitos colaterais, como sangramentos no trato gastrointestinal, que podem ser graves e até fatais. Portanto, seu uso deve ser avaliado por um profissional de saúde”, destaca Montella. A pesquisa abre novas possibilidades no tratamento do câncer, mas mais estudos são necessários para definir a dosagem ideal e os tipos de tumores que poderiam ser combatidos com o auxílio da aspirina.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
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