O calor intenso dos últimos dias tem impactado diretamente a bovinocultura de leite no Rio Grande do Sul, provocando estresse térmico nos animais e uma queda na produtividade. Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado recentemente, algumas regiões receberam chuvas que ajudaram a aliviar o calor e manter as pastagens, mas os efeitos adversos do clima ainda preocupam os produtores.
Na região de Bagé, a produção de leite em Hulha Negra segue estável, mas já apresenta sinais de queda devido ao estresse térmico e ao fim do ciclo das pastagens de verão. A suplementação alimentar tem sido feita principalmente com ração e feno, uma vez que poucos produtores conseguiram ensilar o milho. Na Fronteira Oeste, as chuvas estão ajudando as pastagens a se recuperar, mas a produção de leite ainda permanece limitada.
Em Erechim, o excesso de umidade nos estábulos favoreceu o surgimento de mastite e problemas nos cascos dos animais. Já na região de Frederico Westphalen, a utilização de silagem tem sido uma estratégia para manter a alimentação dos animais, mas isso pode elevar os custos de produção. Em Santa Rosa, o calor prejudicou a atividade leiteira, diminuindo o tempo de pastejo e aumentando os casos de mastite. Nas propriedades mais tecnificadas, os efeitos do calor foram minimizados com o uso de ventilação e aspersão.
A qualidade do leite na região de Ijuí se manteve dentro dos padrões exigidos pelos laticínios, com alimentação garantida por silagem e ração. Em Passo Fundo, a expectativa é que a recuperação da produtividade ocorra com a volta das chuvas, a queda das temperaturas e o ajuste na dieta dos animais. Na região de Pelotas, o aumento da população de moscas e carrapatos também pode impactar a produção de leite.
Em Porto Alegre, apesar do calor, o rebanho apresenta boa condição corporal e sanitária, com o controle sanitário focado em carrapatos e bernes. Em Santa Maria, a suplementação alimentar continua sendo utilizada para minimizar as perdas, e em Soledade, as altas temperaturas reduziram a produtividade do rebanho leiteiro.
No mercado, o preço do leite apresentou queda devido ao aumento da oferta nacional. Embora os produtores enfrentem desafios com o clima, a recuperação das pastagens e os ajustes na alimentação são esperados para estabilizar a produção nos próximos meses.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper